Meus oitenta anos (paródia de “Meus oito anos”)
Tonico Mascia e Casimiro de Abreu
Oh! Como me orgulho
Do crepúsculo da minha vida,
Da minha velhice querida
Com os anos trazendo ventura!
É bom morrer de amores
Nestas tardes brejeiras
Flertando mulheres faceiras,
Lindas, esbanjando formosura!
Que matizes têm os dias
Do poente da existência!
Respira a alma experiência
Como um presente a se por;
O mar é — algo ondulado,
O céu — um alvo quase alcançado,
O mundo — um lugar trilhado,
A vida — um mistério de amor!
O poente, o sol em despedida,
Que noites de linda poesia
Nesta boa e doce nostalgia,
Neste pueril e ingênuo sonhar!
O céu com tagarelas estrelas,
A terra, um ardor desencadeia,
As ondas beijando a sereia
E eu te beijando sem parar!
Oh! Dias da minha velhice!
Oh! Meu céu lindo de inverno!
Que doce este final que é terno
Neste espetacular entardecer!
Em vez das mágoas de outrora,
Eu tenho agora as malícias
De minha amante as carícias
E uma mulher de enlouquecer!
Ando como livre filho das ruas,
Cantarolando vou satisfeito,
De camisa aberta no peito,
Tênis confortáveis e calças blujins!
Dobrando pelas esquinas
Flertando belas mulheres,
Acompanha-me se puderes
Atrás das que cheiram a jasmins!
Nestes tempos maravilhosos
Vou arregaçar as mangas,
Admirar as mulheres de tangas,
Que se bronzeiam à beira do mar!
Agradeço a todas as Marias,
Pois para o céu já estou indo.
Vou adormecer contigo sorrindo
E despertar para sempre te amar!

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